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Filosofia Moderna · 22 de julho de 2026

Descartes e a Dúvida como Método

Descartes e a Dúvida como Método

Descartes e a Dúvida como Método

René Descartes, considerado o pai da filosofia moderna, propôs um projeto radical: duvidar de absolutamente tudo o que pudesse ser posto em questão, a fim de encontrar uma base indubitável sobre a qual reconstruir todo o edifício do conhecimento humano. Esse procedimento, conhecido como dúvida metódica, não era um ceticismo niilista, mas sim uma estratégia filosófica cuidadosamente calculada para eliminar toda crença que não resistisse ao escrutínio mais rigoroso.

No processo, Descartes questiona a confiabilidade dos sentidos — que às vezes nos enganam —, a distinção entre sonho e vigília, e chega a cogitar a hipótese de um "gênio maligno" capaz de nos iludir sobre a própria existência do mundo exterior. Diante de tamanha incerteza, resta apenas uma certeza inabalável: o próprio ato de duvidar pressupõe um sujeito que duvida. Daí nasce a célebre fórmula Cogito, ergo sum — "Penso, logo existo" —, o primeiro princípio absolutamente certo sobre o qual Descartes ergue toda sua filosofia.

O impacto dessa virada é imenso. Ao colocar o sujeito pensante como ponto de partida do conhecimento, Descartes inaugura o que muitos chamam de "giro epistemológico" da modernidade: a filosofia deixa de perguntar primeiro "o que existe?" para perguntar "o que posso conhecer com certeza?". Essa ênfase na subjetividade e na razão como critério de verdade influenciaria profundamente não apenas a filosofia, mas também a ciência moderna, que buscaria métodos igualmente rigorosos para validar suas descobertas. A dúvida cartesiana, portanto, não é um fim em si mesma, mas o primeiro passo de uma busca incansável por fundamentos sólidos para o saber humano.

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